PETEZISTAS
20030627
 

Partido Nacional-Socialista
dos Vagabundos e Marajás da Política

 
Recomendamos:

Tablóide Mídia Sem Máscara

Revista Primeira Leitura

Revista Catolicismo - TFP

outros links

 
ANTONIO PALOCCI FILHO - MINISTRO DA FAZENDA

-Filho de "D.Toninha",que, na década de 80, foi mlitante da Organização Trotskista Convergência Socialista-CS;
- DN: 1960 - Ribeirão Preto/SP;
- Foi militante da OSI (LIBELU), Organização Trotskista;
- Médico pela USP de Ribeirão Preto;
- Flautista e violonista;
- Primeiro casamento: LEILA, Militante da OSI (LIBELU);
- 80: Filiou-se ao PT;
- 88: Eleito Vereador;
- 90: Eleito Dep estadual;
- 92: Eleito Prefeito de Ribeirão Preto;
- 98: Eleito Dep Federal;
- 00: Eleito Prefeito de Ribeirão Preto, prometeu e registrou emcartório que levaria seu mandato até o fim;
- Nov 02: Foi Coordenadoe da Equipe de Transição de Lula;
- Atualmente é Ministro da Fazenda

---

CARLOS MINC BAUMFELD ("JAIR","JOSE","ORLANDO")



- Em 31 Mar 69, Carlos Minc Baumfeld, Fausto Machado Freire e outros assaltaram o Banco Andrade Arnaud, na Rua Visconde da Gávea, 92, na GB/RJ, roubaram a quantia de 45 milhões de cruzeiros e onde foi assassinado o comerciante Manoel da Silva Dutra.
- Em 18 Jul 69, como militante da VAR-PALMARES, participou da" Grande Ação", assalto ao "Cofre do Adhemar", ( Ver Recordando a História) em Santa Teresa/RJ.
- Em 16 Out 69, preso na Rua Ana Neri, 332, na GB, informou o local do aparelho da VPR, na Rua Toroqui, 59, em Vila Kosmos, na GB, onde residia com sua amante Sônia Eliane Lafoz e Eremias Delizoikov, que, resistindo a tiros à voz de prisão, morreu no local .
- Alguns dias depois, a VPR distribuiu um panfleto clamando por vingança aos seus mortos, particularmente o Eremias, e, ameaçando os militares do Exército:"... podem esperar, nós vamos enchê-los de chumbo quente"
- Em 15 Jun 70, foi um dos 40 militantes comunistas banidos para a Argélia, em troca do Embaixador da Alemanha.
( Ver Recordando a História)
- Em fins de 70 a Jul 71, fez curso em Cuba, onde permaneceu durante 2 anos.
- Atualmente, é Deputado Estadual PT/RJ


Observação: Ele luta pela legalização das drogas e pelo desarmamento civil.

- Narco News

---

DILMA VANA ROUSSEFF LINHARES ("ESTELA", "LUIZA", "PATRICIA", "WANDA")

- Em 1967, era militante da Política Operária (POLOP), em Minas Gerais, junto com seu marido, Claudio Galeno de Magalhães Linhares ("Aurelio", "Lobato"). Saiu da POLOP e,também com seu marido, ingressou no Comando de Libertação Nacional (COLINA), tendo sido eleita, em Abr 69, quando atuava na então Guanabara, membro do seu Comando Nacional.
- Acompanhou a fusão entre o COLINA e a Vanguarda Popular Revolucionária, que deu origem à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-P). Em Set 69, participou como convidada - só com direito à voz - do I Congresso da VAR-P, realizado numa casa em Teresópolis. Nessa ocasião, Darcy Rodrigues, um ex-sargento do Exército oriundo da VPR, tentou agredi-la , sob a ameaça de Dilma não mais poder participar das ações armadas. Na ocasião, recebeu a proteção de Carlos Franklin Paixão de Araújo e com ele foi viver e militar no Rio Grande do Sul e, logo depois, em São Paulo, onde foi presa em 16 Jan 70.
- Foi Secretária de Estado de Minas, Energia e Comunicações do Governo do Rio Grande do Sul.;
-Atualmente é Mnistra das Minas e Energia

---

FERNANDO DAMATA PIMENTEL ("OSCAR", "CHICO", "JORGE")

- Mineiro, foi militante, sucessivamente, do COLINA, da VAR-P e da VPR, onde atuou na Unidade de Combate "Manoel Raimundo Soares", no Rio Grande do Sul.- Participou de diversas ações armadas, das quais se podem destacar a de 02 Mar 70, quando chefiou o assalto a um carro do Banco do Brasil que transportava dinheiro para a Companhia Ultragás, e a de 04 Abr 70, quando participou da fracassada tentativa de seqüestro do cônsul dos EUA em Porto Alegre/RS (Ver "Recordando a História
- O Fracassado Seqüestro do Cônsul dos EUA"), tendo sido preso nove dias depois.
- Atualmente, é o prefeito de Belo Horizonte/MG.

---

JOSÉ DIRCEU ("Daniel")

- O mineiro José Dirceu de Oliveira e Silva tinha 19 anos por ocasião da Revolução de 1964. Nessa época, era estudante secundarista na cidade de São Paulo e já participava do movimento estudantil, filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).Dois anos depois, já universitário, José Dirceu estava totalmente impregnado pelas idéias radicais de seu líder no PCB, Carlos Marighella, e o acompanhara na denominada "Corrente Revolucionária", criada dentro do partidão a fim de defender a luta armada. No final desse ano de 1966, ingressou na "Ala Marighella", tranformada, um ano depois, no Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP).
- Em 1968, José Dirceu exercitava sua liderança como presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) insuflando os jovens a pegarem em armas, nem que fossem uns contra os outros. Foi assim que, no início de outubro, constituiu-se num dos líderes do conflito no qual se envolveram, na Rua Maria Antonia, cerca de um mil estudantes universitários da Faculdade de Filosofia da USP e do Mackenzie. Armados de correntes, porretes, revólveres e coquetéis molotov, os estudantes digladiaram-se numa verdadeira guerra campal, finda a qual um estudante morto (baleado na cabeça), dez outros feridos e cinco carros oficiais incendiados atestavam a virulência do ocorrido.Entretanto, a prisão de José Dirceu - então mais conhecido como "Daniel"
- Em 12 Out 68, durante a realização do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, impediu que ele prosseguisse nas suas estrepolias.Além da UEE/SP, quem mais sentiu a sua prisão foi a "Maçã Dourada", jovem plantada junto dele pelo DOPS, para colher informações.Ainda na prisão, acompanhou a transformação do AC/SP na Ação Libertadora Nacional (ALN).
- Em 05 Set 69, menos de um ano após sua prisão, foi um dos 15 militantes comunistas banidos para o México, em troca da vida do embaixador dos EUA, que havia sido seqüestrado no dia anterior, no Rio de Janeiro, pela ALN e pelo MR-8.Do México, "Daniel" seguiu para Cuba, onde, durante o ano de 1970, a partir de maio, participou de um Curso de Guerrilhas, no denominado "III Exército da ALN" ou "Grupo da Ilha" ou, ainda, "Grupo Primavera". Esse grupo, sentindo-se órfão com a morte de Marighella, rachou com a ALN (os divergentes passaram a ser conhecidos como o "Grupo dos 28"), dando origem à Dissidência da ALN (DI/ALN), mais tarde transformada no Movimento de Libertação Popular (MOLIPO).O MOLIPO foi uma organização de curta e triste história. A maioria do "Grupo dos 28" regressou ao Brasil, a fim de exercitar seu treinamento de ações terroristas. Entretanto, logo após chegarem ao país, os militantes foram caindo um a um, como peças de um dominó, cujo "armador", dizem, está vivo até hoje.
No total, José Dirceu permaneceu em Cuba durante 18 meses quando teria feito uma operação plástica nos olhos e no nariz, para voltar ao Brasil com segurança. Apesar dessa operação não ter sido confirmada - muitos dizem ser uma mentira deslavada -, José Dirceu só voltou ao Brasil em Abr 75, quando a luta armada já havia terminado.
Com o falso nome de "Carlos Henrique Gouveia de Mello", radicou-se em Cruzeiro d'Oeste, no Paraná, onde casou-se com uma ricaça da região, com quem teve um filho.No final de 79, regressou a Cuba, dizem que para retificar a antiga operação plástica (??).Depois de ter uma filha com uma portuguesa e ter mais uma filha em um relacionamento desconhecido, José Dirceu casou-se pela terceira vez, agora com sua atual mulher.
Atualmente José Dirceu é o Ministro Chefe da Casa Civil.

---

JOSE GENOINO NETO ("GERALDO")

- Organização Terrorista : PC do B;
- Aos 14 anos, foi estudar em Fortaleza;
- Formado em Filosofia; iniciou Direito;
- Em 1967 :ingressou na UFCE e no PC do B;
- Em 1967/68:Presidente do DCE/UFCE (0 Vice Pres/DCE era BERGSON GURJÃO FARIAS ("JORGE"), PC do B / ARAGUAIA);
- Em 12 Out68: Preso no Congresso da UNE em Ibiúna/SP
- Em 1969/70: Diretor da UNE;
- Em Jul 70: Foi ara o Araguaia morar com “OSVALDÃO”e João Amazonas;
- Guerrilheiro do Dst B, Ch Gp Gameleira;
- Companheiro de ANTONIO GUILHERME RIBEIRO RIBAS ("FERREIRA", "GORDO", "JOSE FERREIRA", "ZE FERREIRA");
-Em 17 Abr 72: Logo no início da 1ª campanha, nessa manhã, às 0500h,saiu para avisar o Dst C dos ataques;às 17 h chegou no Dst C, que já havia fugido, dormiu no mato sob chuva;
- 18 Abr 72: Ao retornar pela estrada foi preso por um bando de “bate-pau” (uns 10)."CURIÓ" Declarou que Genoíno foi preso por ele em 22 Abr 72;
- Foi algemado com as mãos para frente e a mochila amarrada nas costas.Saiu correndo, tentando fugir.Atiraram (um tiro raspou o braço).
- SET 72:Na 2ª campanha. O EB distribuiu cópias de uma carta de José Genoíno Neto (“GERALDO”) ao GLENIO FERNANDES DE SA ("PAULO", "ALBERTO"),ambos do Dst B/GP GAMELEIRA; dizia que estava sendo bem tratado e pedia para que ele se entregasse; trazia foto dele, GENOÌNO e de DAGOBERTO ALVES DA COSTA ("GABRIEL", "MIGUEL", "ERNESTO");
- Em Mai 73,o Dst C realizou uma ação punitiva contra a fazenda e a casa de comércio de NEMER KOURI (OU CURI) ("PAULISTA"). Este fazendeiro ajudou o Exército a JOSE GENOINO NETO ("GERALDO"),no início da luta e tinha se apossado de um burro que pertencia aos guerrilheiros. A Operação foi feita à noite. Sua fazenda foi cercada.Encontravam-se lá NEMER, sua mulher e mais treze trabalhadores. NEMER foi preso. Aos 13 peões, os guerrilheiros explicaram o motivo da ação e os objetivos da luta.Nada se fez contra eles.Os guerrilheiros confiscaram 400 cruzeiros, um revólver 38, roupas, alimentos e remédios."
- Em 1975: Julgado e condenado a 5(cinco) anos;
- Em Abr 77: Libertado.
- Divergências com o PC do B; foi para o PRC.
- Na prisão casou-se com RIOCO KAYANO, Militante do PC do B/SP.
- Publicou o livro "GUERRA DE GUERRILHAS NO BRASIL" ("GGB");
- PAG 133: ENTREVISTA DE 1977;
- PAG 197: CARTA DE FEV 75.
-Em 2002 candidatou-se ao governo de S. Paulo, perdendo no 2º turno.
-Atualmente é o Presidente do PT.

---

MARINA OSMARINA DA SILVA FILHO- MINISTRA DO MEIO AMBIENTE

- Ex-seringueira e analfabeta até seus 16 anos;
- Foi militante das |Comunidades Eclesiais de Base, ligadas à Igreja;
- Anos 80: Ingessou na Faculdae de História quando passouamilitar no PRC-Partido Revolucionário Comunista;
- 84: Com CHICO MENDES, Fundou a CUT / AC;
- 85: Fliou-se ao PT, mas não conseguiu eleger-se Dep Fed;
- 88: Eleita Vereadora pelo PT em Rio Branco / AC;
- 90:Eleita Dep Est pelo PT em Rio Branco / AC;
- 94:Eleita Senadora pelo PT em Rio Branco / AC;
- 10 Dez 02: Nos EUA Lula annciou como futura Ministra do Meio Ambiente;

---

NILMARIO DE MIRANDA ("AUGUSTO", "GUSTAVO")

- Mineiro, participou, em Abr 68, em Santos/SP, do Congresso de Fundação do Partido Operário Comunista (POC), quando foi eleito membro suplente do Comitê Nacional (CN), passando para membro efetivo ainda nesse ano. Em Jun 69, participou da Reunião Ampliada Nacional, realizada numa casa de praia em Tramandaí/RS.
- Em Fev 70, contrário à luta armada, passou a integrar um "racha" do POC, denominado de Tendência Proletária. Dois meses depois, participou do Ativo Nacional dessa Tendência, que deu origem à Organização de Combate Marxista Leninista - Política Operária (OCML-PO), da qual foi eleito suplente do CN. Passou a atuar em São Paulo, onde foi preso em 1972.
- Eleito Deputado Federal pelo PT/MG, sempre se destacou pela defesa dos comunistas: entre 1991 e 1994, no Congresso, foi o presidente da Comissão Externa dos Desaparecidos Políticos e, em 1996, por ser o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, foi nomeado membro da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos.
- Em Ago 99, aproveitando os dados levantados pela Comissão dos Desaparecidos, lançou o livro "Dos Filhos deste Solo", escrito em parceria com o jornalista Carlos Tibúrcio.
- Atualmente, é Deputado Federal-PT e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados

---

Conheça a biografia de outros petistas: Ternuma

Leia também este brilhante artigo do Armaria

 
VIGIAR É PRECISO...


Produzido por www.ternuma.com.br

PARTE 1-ESTRANHO, MUITO ESTRANHO...

Ao desencadearem a aventura da luta armada, o PC do B e as Organizações Político- Militares (OPM) tentaram dar status de guerrilheiros, aos seus militantes, mandando-os fazer cursos de capacitação paramilitar na República Popular da China, no caso do PC do B, ou na República de Cuba, no caso das OPM. Esses países comunistas, até hoje com governos totalitários de partido-único, o PC Chinês e PC Cubano, eram os principais centros de capacitação militar do Movimento Comunista Internacional (MCI).

Não deu certo. Talvez por que chineses e cubanos não pudessem transformar militantes (do PC do B) e os assaltantes e seqüestradores (das OPM), a grande maioria de baixo nível ideológico, em revolucionários, ou porque os “cursinhos” eram de discutível qualidade, fato reconhecido por vários fora-da-lei, em suas autocríticas. O nível de conhecimento das esquerdas brasileiras, naquela época, foi criticado por notórios marxistas revolucionários como L. C. Prestes, Wladimir Palmeira, Leandro Konder, Daniel Aarão Reis e muitos outros, em obras ou declarações.

Na realidade, a “práxis” era dominante e o conhecimento teórico era caótico. Os integrantes das OPM possuíam uma pálida visão da estrutura de organizações terroristas e de seus setores básicos e as suas frágeis bases teóricas vieram de suas origens e das leituras sobre outras revoluções.

Em conseqüência da atuação eficiente das Forças Legais e em decorrência de suas próprias necessidades, os setores estruturais das OPM que mais se desenvolveram foram os dedicados às:
- ações ilícitas (assaltos; seqüestros; e “justiçamentos”) executadas por “grupos de fogo”; “grupos táticos armados” - GTA e outros; e
- atividades de inteligência, em particular as de contra-inteligência, em razão dos constantes sucessos da infiltração dos órgãos de inteligência, e devido às necessidades de segurança para seus integrantes nos “aparelhos”, na movimentação cotidiana e no levantamento de seus alvos.

Uma atividade sempre cercada de rígidas normas de segurança era a de reentrada de militantes no território brasileiro, com realce para os que retornavam de “cursinhos de capacitação militar” em Cuba - os “cubanos” - e da China.

Na ordem de 240 (duzentos e quarenta) fora-da-lei foram treinados em Cuba, a maioria pertencente à: Ação Libertadora Nacional (ALN); ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR); à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR); ao Movimento de Libertação Popular (MOLIPO, formado por dissidentes da ALN); e ao Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR – 8).

A má formação proporcionada pelo Departamento América, do PC cubano, foi exaltada por Zé Dirceu (ligado à Inteligência cubana, segundo militantes da ALN), afirmando serem os cursos “um vestibular para o cemitério” .

Difícil é aceitar a afirmação do José Dirceu de sonhar com o comando de uma coluna guerrilheira e permitir que seus amigos do MOLIPO retornassem e prestassem o vestibular que antecipara, se engajando numa luta sem volta. O estranho mutismo, a absurda inatividade, a permanência prolongada em local seguro e a ausência de dados de sua militância, do retorno de Cuba até 1979, não se coadunam com sua “decantada” fé revolucionária. E não foi só ele, do IIIº Ex da ALN, formado por trinta e poucos “aventureiros” (MOLIPO; ALN; e MR-8) que ficaram mudinhos, bem mudinhos, de 1971/72 até a anistia. Será que ficaram mudos mesmo? E os delatores? E hoje o Zé Dirceu, “emocionado”, agradece a Cuba e ao Fidel... Agradecer o quê ? Pelos delatados que morreram ?

Observação : os cursos na época eram da responsabilidade do Departamento América (DA) do PC Cubano, chefiado por Manuel “Barbarroja” Piñeiro, que o dirigiu até 1993, tendo falecido em 1997. Sua esposa era Marta Harnecker, que atualmente dirige em Cuba o “Centro de Recuperación y Difusión de la Memoria Histórica del Movimiento Popular Latinoamericano”, ligado a militantes do PT , do MST e do Consulta Popular, que se diz braço político do MST.

O PC do B/APML enviou cerca de 60 (sessenta) militantes à Academia Militar de Pequim .

Nada mais natural que estes militantes “aperfeiçoados” no exterior, em cursos que as esquerdas brasileiras exaltavam sem conhecimento das suas reais condições ou por mera questão de propaganda, serem alvos das atividades operacionais de inteligência e contra – inteligência dos órgãos nacionais ou de outros países, especializados em infiltração combinada com outras técnicas, todas usadas desde os tempos de Sun Tzu.

O jornalista Elio Gaspari, em artigo no jornal “O Globo”, de 22 de janeiro de 2002, “incorporando” seu antigo companheiro do “Partidão”, Carlos Marighella, teceu críticas ao Camarada Mateus/ALN (Aloysio Nunes Ferreira), que elogiara a coordenação dos órgãos de segurança no desmantelamento dos grupelhos marginais. O médium Elio , sempre atado à sua fixação de que tudo era resultado da tortura, protestou. Já respondemos o tal artigo com uma mensagem terrena e uma mediúnica do Giocondo Dias, pelo www.ternuma.com.br Segundo os críticos elogiosos da obra “Eliana” a tortura é um dos pilares da sua argumentação sobre a derrota das esquerdas, em seus dois livros lançados recentemente, com toda a pompa...

A argumentação é, também, mais um artifício para ocultar, sob o manto das distorções, muitos meliantes travestidos de “guerrilheiros”, que eram, na realidade, delatores ou agentes infiltrados, até hoje preservados pelos serviços prestados, diretamente ou não. Alguns até amigos do Elio de passadas militâncias... Outros “abriram” seus camaradas em etílico papos, com agentes, em bares de Ipanema, Leblon e boas mesas paulistanas... Não são poucos os “torturados” que viam com capuz, ouviam gritos e nomes em celas isoladas, e narraram cenas cujos personagens são incapazes de identificar, especificando data, local e outros dados “confirmatórios”, livrando suas caras no pós-anistia, perante seus companheiros esquerdistas.

Lógico que tivemos excessos, infelizmente faz parte deste triste jogo, que os mestres do embuste aventureiro e "militarista” deflagraram, pós 1964, a partir de 1966, para deixar barato. Lembrem que o pessoal das Ligas Camponesas foi “treinado”, a partir de 1961. Perguntem: ao Clodomir dos Santos Moraes, que esteve em Cuba pelas Ligas Camponesas, em 1961, e atualmente assessora o MST; e ao pessoal do PC do B que antes de 1964 enviou militantes para a Academia Militar de Pequim (Beijing)

Milagre seria não haver excesso neste tipo de luta...Era uma guerra suja e os anos eram de chumbo, como quer a mídia revanchista .

Elio, dá um tempo...Uma das suas técnicas usuais, por sinal em voga na imprensa escrita, falada e televisiva, é o uso do “testemunho irrefutável”, simples e eficiente sempre que se tem o poder da mídia, podendo ser, a um só tempo, acusador, juiz e algoz, mormente quando não há contraditório. Seus livros a par de seus méritos é o reino do diz-que-me-diz, baseado em escritos de pessoas que viviam nos escritórios climatizados de Brasília e não do dia-a-dia dos contatos com a “guerrilha araqueada”.

A versão do Frei Beto, em livro, segundo a qual agentes da repressão infiltrados na organização de Marighella (ALN) produziram a emboscada (Op normal neste tipo de guerra) em que foi morto o esquerdista (comunista), não comprovaria a tese de que a tortura era a alma e a única técnica de investigação da repressão. Portanto, Elio opta pela versão ideológica da tortura de dois frades dominicanos. Eta ética de grande quilate! Desculpem, a interjeição eta. É para agradar a esquerda radical, defensora do terrorismo.

No segundo volume, o Elio é minucioso em revelar a trajetória ideologizada da tortura, que segundo ele e seus arautos se manifestou claramente em dois momentos, ou melhor, em duas versões mentirosas, como mostraremos :
- uma foi a da eliminação sistemática dos esquerdistas banidos do Brasil (em troca de diplomatas seqüestrados) que voltavam ao país. Por medo de que o exército de exilados (não eram banidos!) engrossasse as fileiras das organizações armadas (já depauperadas), ou apenas por vingança, praticamente todos os que voltaram foram executados; e a
- outra versão é a da guerrilha do Araguaia, quando os esquerdistas do PC do B eram mortos depois de presos e rendidos, com crueldade digna das piores crônicas de conflitos africanos.

Vamos por partes.
1ª Versão . Cerca de cento e trinta (130) meliantes foram banidos, na troca por diplomatas estrangeiros. Destes 130 tivemos, segundo dados difundidos, cerca de 12 (doze) baixas. Para dar uma colher de chá, na área de ações de seqüestro, cerca de 65 (sessenta e cinco) meliantes se envolveram nas ações, sofrendo 11 (onze) baixas. Considerando os dados existentes, em nenhum dos dois casos houve a decantada eliminação sistemática. Desafiamos a réplica. Aliás muitos, muitos mesmo, banidos e seqüestradores estão perambulando por aí. Um deles, banido, que participou do roubo do famoso “Cofre do Ademar” em Santa Teresa, que continha 2 milhões e 400 mil dólares, hoje, como deputado estadual, diz diariamente, em entrevistas nas TVs, que a CPI quer saber como os dólares do Silveirinha saíram do país... Anteriormente, nas ruas de Santa Teresa, reclamava da Polícia Militar “mais segurança para o bairro”... É ou não é piada de salão...

2ª Versão. O Araguaia é o império do diz-que-me-diz, manipulado por certos repórteres e membros de Comissões ou ONGs, que têm sido alvos de várias matérias do www.ternumabrasilia.com.br, todas sem as esperadas respostas dos alvos: procuradores; “jornapongas”; membros de Comissões Direitos Humanos Unilaterais (ou do Reino do Não Contraditório) . Nem a obra do PC do B, “Guerrilha do Araguaia”, da Editora Anita, 1996; nem o possível “Diário do Velho” (Maurício Grabois); nem mesmo a análise criteriosa da bibliografia exposta no portal dos “desaparecidospolíticos.com”, comparada com outras fontes da esquerda ou não, permitem o despautério da versão “Eliana”. Logo...

Será que o Elio quer minimizar o Pot –Nol, comunista ? As nossas custas? Tá louco!

Sobre os “vazadores” de documentos, com versões pessoais típicas de alcoviteiros palacianos, ou forjadores de versões para cobrir possíveis ou reais deslizes praticados, falaremos mais tarde. Quem viver , verá...


PARTE 2- LIGAÇÕES E AFIRMAÇÕES ESTRANHAS...

Produção do www.ternumabrasilia.com.br



No Brasil a mídia e os seus especialistas em análises revolucionárias e contra–revolucionárias merecem atenção. Um número expressivo destes estudiosos, são intelectuais, de formação marxista, oriundos de Organizações Revolucionárias ou delas simpatizantes.

A situação atual foi alcançada, graças a uma hábil manobra de domínio de determinadas redações e de certos Centros de Estudos Estratégicos Universitários, ou congêneres, que se prolonga no tempo e com ímpeto crescente a partir do final da década de 70 do século passado.

Este quadro deveu-se à ação desenvolvida pelo PCB (Partidão), pelo PC do B, por outras Organizações e setores da esquerda engajada, ao que se soma a adesão , por ignorância, por omissão, ou mesmo por mero oportunismo e interesse material, da nossa "burguesia progressista" ou, se quiserem, "nacionalista", sempre vista como aliada pelo PCB na fase da revolução "democrática – burguesa", na sua concepção dita "nacional – democrática", para os puristas...

Mesmo que a análise das condições objetivas coloque a burguesia nacional como "aliada", num plano cada vez menos significativo, o que pode se configurar nesta conjuntura pós-eleitoral, pelo ascenso dos Movimentos Sociais dominados, caracterizando cada vez mais um quadro de revolução "popular- democrática", de caráter reformista – revolucionário, é improvável que boa parte dos "burgueses progressistas" deste país, se desatrelem do Estado Neopatrimonial, onde buscam atender seus interesses habituais, qualquer que seja o matiz ideológico do Poder gerenciador do orçamento nacional.

A mídia, por seu turno, manteria seus contornos atuais...

Os que não comungam com os padrões socialistas, radicais ou não, continuarão a ser tachados de "entreguistas", direitistas, nazistas ou fascistas sem mais nem menos, por esta chusma de "patrulheiros", sectários e dogmáticos, com seus clichês ideológicos, nem sempre transparentes quanto as suas reais convicções e objetivos.

Os jornalistas "progressistas", "nacionalistas", marxistas revolucionários de boa cepa ideológica, bons escrevinhadores, que têm suas origens nas hostes do antigo e nostálgico "Partidão", ou do estalinista PC do B, como militantes ou "companheiros de viagem", manterão os seus bolorentos resquícios ideológicos, que afloram nos escritos revanchistas, com ênfase contra os militares.

Menção especial para Alberto Dines, Elio Gaspari, Helio Contreiras, Ferreira Gullar, Ricardo Boechat, Marinilda Carvalho, Emir Sader, e tantos outros que por aí labutam e os que se foram como o Mario Lago, o Ibrahim Sued, o João Saldanha, que transitaram e se projetaram no "Casarão dos Marinhos", sob a proteção do patriarca Roberto, o fiador de todos , pois segundo "Ele", um jornal não poderia e não pode ainda, pelo que parece, sobreviver, sem os socialistas revolucionários ou não...Eles sabiam e sabem escrever...

A velha guarda ira dar continuidade as suas críticas e autocríticas relacionadas aos seus velhos ícones ou antigos companheiros dos tempos em que abraçavam o "socialismo real". Lenin, Stalin, Kruschev, Mao Zedong e tantos outros, continuarão a ser criticados ou execrados pelas utopias esmaecidas e frustrações do passado, na medida em que isto contribua para aparentar uma luta pelas "liberdades democráticas" e uma suposta adesão ao Estado Democrático de Direito. Na realidade, auxiliam os novos "intelectuais orgânicos", das redações ou não, a institucionalizar o Estado de Direito Socialista, via revolução, como prega Jorge Almeida, da Direção Nacional do PT:

(...) ‘A superação do chamado "socialismo real" e a rejeição a golpismos não pode nos levar ingenuamente a possibilidade de construir um "socialismo irreal" : lento, gradual, seguro, pacífico, calmo e sereno.’ In "O PT e o Marxismo", Caderno Especial de "Teoria & Debate", publicação do PT, página 108. Querem a coisa mais explícita ?



A nova geração "intelectualizada" não chega aos pés da antiga ...Na arte de escrever, é claro. No conteúdo ideológico, permanece, como vemos diariamente, o condicionamento que bitola o homem na análise, fixando os padrões do passado,do presente e do futuro, nas teias de um materialismo dialético e histórico, nem sempre percebido pelos leitores e ouvintes.

Bem que alguns gramscianos tentam, sem sucesso, fugir da bitola do materialismo-histórico, com mil malabarismos intelectuais, porém sempre recaindo no determinismo inexorável : a antevisão de uma Democracia Socialista – só de socialistas, preferencialmente revolucionários. Tudo graças à influência de nacionais, digo internacionalistas, liderados por Carlos Nelson Coutinho, Marco Aurélio Garcia, Emir Sader entre vários, de braços dados com estrangeiros como Luciano Gruppi, Christine Buci – Glucksmann, Hugues Portelli, Gil Stephen e tantos outros, visionários de mais uma variante marxista – leninista, sempre com um mesmo devir : a utopia socialista .

Os analistas, sejam da velha ou da nova safra, sabem que há necessidade de certos requisitos para a condução de um processo revolucionário, indícios patentes que são omitidos, destorcidos ou dissimulados ardilosamente na mídia. Isto é uma realidade incontestável na área da mídia, onde pululam e pipocam velhos e novos "revolucionários".

Nossos ciosos jornalistas "democráticos" evitam vincular e analisar as estreitas ligações que existem entre Foros, Partidos, Organizações corporativas, Movimentos Sociais, ONGs, brasileiras, e seus integrantes, com seus congêneres socialistas revolucionários de outros países, em particular os cubanos ou ligados a Cuba.

Estas organizações políticas da gelatinosa (em homenagem a Gramsci) linha reformista - revolucionária, utilizando o sofisma de defesa de uma democracia radical (sic) em suas Resoluções e admitem a adoção da ruptura institucional, incluso pela via armada, se for o caso... Parece piada, mas não é.

Um exemplo entre muitos é a estreita vinculação entre Marta Harnecker, o pessoal da ONG, "Consulta Popular" que se propõe "braço político" do MST; o MST; e figuras de relevo do PT .

No site "rebelion.com", a autora da obra "Los Conceptos Elementales del Materialismo Histórico", publicado em 1. 969 e obra de influência na juventude estudantil comunista daquele tempo, deixa patente a sua ligação e o seu fácil trânsito com os partidos, organizações e personalidades da esquerda radical brasileira e latino – americana. Seus escritos hoje têm sabor gramsciano, por sinal muito difundido em Casas de Altos Estudos (a Fernando Ortiz, por exemplo), e nos Institutos Superiores de Estudos de Havana.

Marta é a viúva de Manuel "Barbarroja" Piñeiro, Chefe do Departamento América do PC de Cuba,falecido em 1. 997 e até 1. 993 articulador dos movimentos de luta armada na América Latina. De fraternos e saudosos laços com muitos dos que por aí estão. M. Harnecker dirige o Centro de Recuperação e Difusão da Memória Histórica do Movimento Popular Latino Americano, com sede em Havana. Ela é defensora de uma alternativa que alguns denominam, a boca pequena , de "reformista revolucionária", cujo caráter da revolução é definido como : socialista. Uma visão alternativa que os "orgânicos" petistas não desdenham, pelo contrario...

A escritora chilena, marxista - leninista, ainda que alguns procurem atenuar este traço ideológico, que não se dissimula na sua obra, foi militante da democracia cristã chilena e de sua dissidência o MAPU (Movimento Popular Unitário Operário) na década de 70 do século passado. Ela foi mentora do "Movimiento de Izquierda Revolucionária" (MIR) e da "Frente Patriótica Manuel Rodrigues" (FPMR), organizações chilenas com pleno acesso no Departamento América e no Exército Cubano. Ressalta, ainda, seu peculiar interesse e o afã de propagar para o nosso Continente e outros, estudos sobre estratégias e táticas de vinculação e coordenação dos Movimentos Sociais com seus braços políticos, destacando seus enfoques sobre o PT, o MTS e seus papéis no processo revolucionário. Tem contatos com vários membros da Consulta Popular, que se diz "braço político" do MST, e é integrado por petistas de expressão.

A viúva de "Barbarroja" Piñeiro, foi e ainda é marxista - leninista, tal qual Trotsky e Gramsci foram e a luta armada é uma perspectiva viável e circunstancial para todos eles, no momento da ruptura, , ou se quiserem da passagem da "guerra de posição" para a "guerra de movimento", que Apolônio de Carvalho, do PT, candidamente argumenta que deve ser "a menos dolorosa possível".

Não são só estas ligações que nos preocupam. Existem certos pensamentos vazados por seus autores com naturalidade, aprovados sem contestação pela mídia, merecedores de nossa reflexão. Um exemplo é a afirmação do marxista José Dirceu de que o PT, partido socialista, que não é social – democrata, desenvolve , no governo, uma "revolução social".

Com base em dicionários, obras marxistas, inclusive de autores petistas, o que esta afirmação significa : a execução de uma revolução que produza um salto qualitativo, o que em termos marxistas, se traduz pelo domínio das estruturas do Estado Democrático de Direito por um novo bloco histórico que implantará, via reformista ou não, uma democracia radical e revolucionária, só possível no Estado Socialista. Para José Dirceu e seus seguidores, a reação das classes adversas, oponentes da corrente progressista e vanguarda da sociedade, é que ditará a violência da ruptura : "guerra de movimento" ou "guerra de posição".

Encontramos nos textos das revistas "Teoria & Debate" (do N° 1 ao Nº 52 , em obras de petistas, ou de marxistas revolucionários em geral, os delineamentos revolucionários, aqui expostos. O camarada Daniel não mente, nem quando fala como estranho sobrevivente do "Grupo Primavera" ou MOLIPO& Cia. Abreviatura sem alusões a sua estranha e silente sobrevivência no período em que o "Grupo Primavera", instituído em Cuba sob orientação do DA /PC de Cuba, foi desbaratado, graças à infiltração de um ou mais agentes cooptados...Olha lá)...

Três textos para reflexão final :

1) "Hay que articular la izquierda de partido com la izquierda social" (M. Harnecker);

2) "Los movimientos sociales son movimientos sectoriales y es necesario um instrumento articulador" (M. Harnecker);

3) "Ahora, creo que nadie podrá rechazar que se recurra a las armas si la disyuntiva es luchar por la liberación o permanecer esclavos" (M. Harnecker)

4) "Uma ruptura revolucionária que, em nossa sociedade, se dará a partir do acúmulo de forças e na disputa de hegemonia e de espaços no Estado e na sociedade, desde já, além do desenvolvimento das organizações independentes que num momento mais avançado da luta possam converter-se em organismos do poder popular".(...) Jorge Almeida, "Macarrão",da Direção Nacional do PT, na mesma página 108, da obra já citada neste texto.

Em matérias futuras, sob o título "Vigiar é Preciso", apresentaremos um esboço de hipóteses de acontecimentos em marcha, referentes às perspectivas de uma nova Internacional (a Quinta); a condução da "guerra de movimento" ou "de posição" por uma "Vanguarda ou Frente Revolucionária"; as possibilidades de ligações internacionais de apoio à esquerda radical, democrática e revolucionária na América Latina; e outras.



PARTE 3 - UMA NOVA INTERNACIONAL?


Produzido por TERNUMA Regional Brasília


O processo de derrocada do Movimento Comunista Internacional, com seus cismas cíclicos, decorreu, inicialmente: 1) dos "Grandes Expurgos", em especial no período 1930/1940; 2) do Pacto Molotov-Ribentrop, em 1939, para a repartição da Polônia, nos antecedentes da IIª GM; 3) do assassinato de Trotsky, em 1941 no México; 4) da defecção da Iugoslávia, do Bloco Soviético, em 1948; dentre muitos outros que poderíamos citar. O processo prosseguiu e desembocou na desintegração da URSS e no esfacelamento do "Sistema Socialista Mundial", constituído sob a égide do Estado Soviético, que os acontecimentos, de 1950 em diante e a seguir relacionados, tornaram irreversíveis:

- a morte de Stalin;

- o "Discurso Secreto de Kruschev";

- a adoção da "Tese de Coexistência Pacífica" pelo PCUS;

- as crises irrompidas na Polônia, em Berlim e na Hungria;

- o Conflito Sino-Soviético;

- o surgimento da "Teoria do Policentrismo" de Palmiro Togliati;

- a "Primavera de Praga" (1968), com a intervenção armada na então Tchecoslováquia, e a imposição conseqüente da "Tese da Soberania Limitada", por Bréjnev;

- as crescentes crises e "rachas" no MCI, com o advento definitivo do Eurocomunismo e de novos "profetas", em detrimento do aparente declínio dos persistentes "ismos" mais radicais (leninismo; trotskismos, estalinismo, maoismo e outros), com suas sobrevidas embutidas ou não nas novas fórmulas gramscianas, ardilosas no seu "reformismo-revolucionário";

- a retração da China no apoio aos movimentos revolucionários, em particular na Ásia e na África, face à sua aproximação com os Estados Unidos;

- a inoperância da OSPAAAL e da OLAS, sediadas em Havana e subordinadas aos interesses eventuais de Moscou ou Beijing, via ação do PC Cubano, na coordenação e apoio aos Partidos Comunistas (PC) e Organizações Político Militares (OPM), dedicados à luta armada no Terceiro Mundo (com ênfase na América Latina e África);

- a reação lenta e sem volta à malsinada "Tese da Soberania Limitada", já citada, na Europa Oriental;

- o surgimento do sindicato Solidariedade;

- a Revolução de Veludo 1989/90, na antiga Tchecoslováquia (a partir de 1º de janeiro de 1993, República Tcheca e Eslováquia);

- o processo da "Perestroika" e da "Glasnot", desenvolvido dentro da estrutura do PCUS, latente desde os tempos do POSDR (Partido Operário Social Democrático Russo), na luta entre mencheviques e bolcheviques, e impulsionado após o "Discurso Secreto" de N. Kruschev, no XX° Congresso do PCUS, em 1956, com reflexos intensos, na sociedade soviética, no período de 1985 a 1991;

culminando com a desestruturação do PCUS e a desintegração da URSS, aniquilando a capacidade de coordenação dos Partidos Comunistas, dos Movimentos e das Organizações de Frente que se pautavam pelas diretrizes de Moscou.

A balela marxista, que só o sistema de economia de mercado era palco de crise sistêmica, cíclica, caia por terra. E não argumentem os especialistas estrábicos que as causas não tiveram seus componentes econômicos e sociais, alicerçados numa vesguice estratégica de orientar recursos para expansão do Sistema Socialista Mundial (leia-se Soviético), com gastos de natureza bélica, em detrimento do bem estar de suas populações. O decantado povo? Era uma questão de detalhe...

Paralelamente, o esquema bipolar da "Guerra Fria" se desfez, dando origem à complexa conjuntura internacional, com que nos defrontamos.

A frustração, a revolta e um certo desespero invadiram o ciclo dos defensores do socialismo revolucionário, impondo críticas, autocríticas e um esforço hercúleo de procurar alternativas para acalentar novas aventuras. Por pobreza intelectual, infelizmente, as que surgem estão sempre atreladas a velhas matrizes marxistas, sempre acalentadoras de alienadas utopias. Bem que tentaram até desenterrar os socialistas utópicos, mas parece que não deu certo... Também...

O Mundo, sem dúvida, ficou mais complicado. Bem mais, pois, além de tudo, há os mal intencionados ou ignorantes, que propalam do alto de suas posições maquiavélicas, ou do púlpito de suas santas ignorâncias, que o marxismo revolucionário, radicalmente democrático-popular e internacionalista, acabou. E tem gente que acredita...

De um momento para outro, os PC revolucionários assumidos e os que se diziam "democráticos" ficaram sem a mega estrutura de apoio do "Sistema Socialista Mundial" e dos canais que lhes eram proporcionados, pela teia de Organizações de Frente, que se desenvolvera sob o manto do "internacionalismo proletário", graças aos esforços da IIIª Internacional (Comintern) de 1 919 até 1 943, quando foi extinto para mera satisfação dos aliados da URSS na IIª GM.

Na realidade, tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes, com a criação do Cominform, em 1946.

O Cominform foi extinto em 1956, ficando a coordenação dos PC, Movimentos e Organizações de Frente, sob a direção ao Departamento Internacional, Anexo à Secretária do CC do PCUS, até 1989 / 91, sob a orientação de M. Suslov e B. Ponamariov do CC/PCUS, sucessivamente, e a supervisão da KGB, como sempre.

A quase totalidade dos organismos do MCI, situados em países comunistas e mesmo fora deles, deu um caráter institucionalizado e legal a esta imensa rede de apoio.

Na América Latina a sobrevivência de Cuba, com seu PC e o Departamento América do PC de Cuba, experiente nas ligações com os partidos esquerdistas radicais ou não, e a existência de ONG, como a OSPAAAL e outras, davam e ainda dão um alento aos contatos dos Partidos, Organizações e Movimentos socialistas revolucionários existentes, porém traziam e trazem em si um aspecto negativo, devido às lembranças do apoio de Fidel à luta armada revolucionária, que sacudiu a Região, na década dos anos 60 e 70 do século passado. Há resquícios...

Os indícios, em passado recente, das ligações e do apoio dos fidelistas às ações de "expropriação" (seqüestros) praticados pela mão-de-obra ociosa de organizações terroristas, particularmente as chilenas, Frente Patriótica Manoel Rodriguez (FPMR) e Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR), realizadas no Panamá, no México e no Brasil e até mesmo na Europa, em colaboração com a ETA basca e o IRA, com a finalidade de apoiar organizações e movimentos da esquerda revolucionária, ampliou ainda mais a desconfiança de muitos países em relação às ligações de Partidos, Organizações Político - Militares, Movimentos Sociais (ONG) e outros órgãos com a "ilha". Isto apesar das candentes juras fidelistas em negar estes vínculos. Gato escaldado tem medo d'água fria.

Muitos são os Movimentos e as Organizações de Frente do passado que mantém seus laços de "internacionalismo proletário", via PC legais desdobrados em todo Mundo, destes recebendo apoio logístico e financeiro, não raro sem transparência e com fluxo nem sempre lícito de meios de toda ordem.

Lembramos que sempre existiu e existe na área nacional ou internacional uma estrutura legal e uma estrutura "sombra", chamada clandestina, subterrânea ou o nome que se dê para apoio aos movimentos radicais, defensores da luta armada, seja qual for a sua ideologia. Um exemplo, no campo externo, são as "Juntas de Coordenação Revolucionária", assinaladas ao longo da história dos movimentos revolucionários da América Latina, difíceis de tipificar, pelo grau de sigilo, pela segurança que cercam suas atividades e pelo trabalho de cobertura proporcionado pela mídia engajada. Parece que o Movimento Bolivariano, no presente, tutela uma série de organizações que podem ou poderão desempenhar este papel. Estamos de olho...

Uma das tarefas da mídia esquerdista, das organizações governamentais e não-governamentais (ONG), simpatizantes ou militantes na "luta antiimperialista", ou aliadas da esquerda revolucionária, é justamente a de alardear que as desconfianças e acusações em relação a estas ligações entre as correntes radicais e revolucionárias, marxistas ou fundamentalistas, são parte da campanha criada e orquestrada para apoiar os esforços da política externa dos países imperialistas (EUA, UE, Japão e seus aliados), contra as forças "populares-democráticas" do Continente Americano e de outras áreas.

A criação ou cooptação de organismos internacionais de coordenação, para as esquerdas socialistas revolucionarias, tornou-se, desta forma, o objetivo estratégico prioritário.

Na atualidade algumas organizações têm condições de desempenhar esta coordenação em âmbito nacional, latino-americano ou até mesmo em cenário mais amplo, dependendo de certos fatores, entre os quais as ligações com PCs e outros partidos radicalmente democráticos e revolucionários, com status legais...

Entre outras organizações convém analisar: o Foro de S.Paulo, a Consulta Popular, o Foro Social Mundial e a Via Campesina. É o que faremos, com paciência, muita paciência e convicção, baseados nos indícios e evidências passadas e atuais.

As ações de certos militantes do PT e de outros partidos legais, no Poder, em apoio as FARC-EP, organização tradicionalmente ligada a Cuba e a cobertura dada a estas demonstrações por parte da imprensa, indicam o apoio de certas tendências à violência revolucionária. Isto tudo em confronto com recente Resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenando os atos terroristas cometidos pelas FARC-EP.

Não venham com baboseiras nos acusando de: agentes da CIA; arapongas; fascistas; nazistas; e outras besteiras do gênero, típicas de "intelectual orgânico" de meia-tigela, que só servem para mostrar e medir com os seus clichês a vastidão de suas ignorâncias.


Fonte: Ternuma
 
Castello Branco e a Contra-Revolução de 31 de Março


Félix Maier


Neste dia 31, quando comemoramos o 39º aniversário da Contra-Revolução de 31 de Março de 1964, convém destacar a figura ímpar de Humberto de Alencar Castello Branco. Cearense, Castello Branco nasceu em Mecejana a 20 de setembro de 1900. Filho de militar, passou a juventude no Rio Grande do Sul, onde realizou o curso secundário no Colégio Militar de Porto Alegre. Em 1918, ingressou na Escola Militar do Realengo e foi promovido a aspirante-a-oficial de Infantaria em 1921. Concluiu o curso de Estado-Maior em 1º lugar, feito que lhe valeu a matrícula na Escola Superior de Guerra da França, em 1936.

O Marechal Mascarenhas de Moraes, Comandante da FEB, assim se referiu ao então Tenente-coronel Castello Branco, Oficial de Operações de seu Estado-Maior durante a Campanha na Itália: "Inteligência privilegiada; lucidez e objetividade na apreensão da situação tática e estratégica; firmeza nas convicções e lealdade ao chefe; valoroso na conduta desassombrada e serenidade nas situações críticas; caráter e pensamento; energia e ação; patriotismo e desambição são as maiores das excelsas virtudes desse modelo e guia do oficial de estado-maior. Foi o meu grande e emérito auxiliar no planejamento das operações e nos estudos de situação durante a Campanha na Itália. No pós-guerra, continuou a prestar-me eficiente e denodada colaboração" (Meira Mattos, in "Castello Branco e a Revolução" - "Apresentação" (1).

Sobre Castello Branco, assim se expressou o general Vernon Walters, companheiro de operações na Itália e, posteriormente, embaixador dos EUA no Brasil: "Nem sempre se tem oportunidade de se observar um homem na guerra submetido a tais pressões. A verdadeira grandeza da coragem e da energia de Castello Branco ficara claramente demonstrada para mim. Em nenhum momento o vi perder o humor ou a sagacidade. Sempre tinha um gracejo irônico ou um comentário mordaz. Dotado de inteligência brilhante, impacientava-se com a incompetência e não tolerava a fraqueza e a mentira. Nunca hesitou em expressar os seus pontos de vista, quer aos seus superiores hierárquicos, quer aos oficiais norte-americanos. Jamais o vi embaraçado, arrogante ou servil" (obra cit., pg. 92).

Castello Branco foi instrutor, diretor de ensino e comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Foi promovido a general em 1952 e em 1963 passou a chefiar o Estado-Maior do Exército. Um dos principais líderes da Contra-revolução de 31 de Março de 1964, Castello Branco foi eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional em 11 abril de 1964, assumindo o Governo no dia 15 daquele mês. Castello Branco herdou um país mergulhado na inflação e no caos econômico e social, uma verdadeira "massa falida". Promulgou uma nova Constituição, instituiu novos ministérios, promoveu a reforma agrária, criou o Banco Central e o FGTS, e implantou projetos estruturais que iriam redundar, nas décadas seguintes, em um avanço econômico-social nunca visto antes, trazendo o Brasil de 48º lugar para 8ª potência econômica do planeta. Em duas décadas de "Nova República", Collor e FHC, já retornamos para 12º lugar, superado recentemete pelo México, sucesso obtido com sua inserção no NAFTA. Com a "República dos barbudinhos" de Lula-laite e a socialização ora em andamento, temos grande possibilidade de cairmos ainda mais.

Ah! Que saudades que Castello nos traz! Éramos felizes e não sabíamos! Com a palavra, personalidades da época:"Castello Branco é um homem brilhante, um brilhante militar. É um milagre que, num momento crítico como este, tenhamos um homem dessa inteireza moral, um patriota como esse" (Augusto Frederico Schmidt, ex-conselheiro de Kubitschek). "Nós não queremos que o Sr. Kubitschek se torne um Frondizi brasileiro e nos roube esta revolução, como já roubou o Brasil" (Carlos Lacerda, sobre a escolha do novo Presidente, Castello Branco, após a queda de João Goulart).

E àqueles que defendem João Goulart com unhas e dentes, veja o que disse a respeito dele Márcio Moreira Alves, o "Marcito", em seu livro "O Despertar da Revolução Brasileira (2): "Achava-o oportunista, instável, politicamente desonesto... Aparecia bêbado em público, deixava-se manobrar por cupinchas corruptos... e tinha uma grande tendência gaúcha para putas e farras".

Contra-Revolução de 1964 - Após a anarquia promovida no Brasil pelo Governo João Goulart ("Jango"), no dia 31 Mar 1964, sob a exigência e a aclamação da população brasileira, é desencadeada a "Revolução de 31 de Março", apelidada pelos opositores como "golpe militar", mas que foi na verdade uma "Contra-revolução", por suspender o processo revolucionário em andamento no País. A imprensa atual, totalmente esquerdisofrênica, apregoa que não havia necessidade de tal "golpe". Porém, se atentarmos para os fatos da época, escondidos hoje pela mídia, mas publicados na imprensa à exaustão naquela época, chegamos à conclusão de que as Forças Armadas agiram em legítima defesa de nossa Pátria. Senão, vejamos alguns antecedentes.

Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, "Jango" estava em viagem à China comunista, acompanhado de "líderes trabalhistas, convocados para observação e estudo das comunas populares daquele país" (Del Nero, in "A Grande Mentira", pg. 70). Na China, "Jango" fez "um pronunciamento radical, em que revelou sua intenção de estabelecer também no Brasil uma república popular, acrescentando que, para tanto, seria necessário contar com as praças para esmagar o quadro de oficiais reacionários" (Del Nero, op. cit., pg. 71) - prenúncio da Revolta dos Marinheiros, no Rio de Janeiro, e da Revolta dos Sargentos, em Brasília.

Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Relações Internacionais). Naquela ocasião, Prestes afirmou: "A escalada pacífica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina. (...) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a ante-sala do socialismo. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista." Segundo Luís Mir, in "A Revolução Impossível", "A exemplo de 1935, a revolução deveria começar novamente, pelos quartéis." (cfr. Del Nero, in "A Grande Mentira", pg. 121).

"É crime lembrar que a direita civil armada, pronta e ansiosa para matar comunistas desde 1963, foi pega de surpresa pelo golpe militar e inteiramente desmantelada pelo novo governo, de modo que, se algum comunista chegou vivo ao fim do ano de 1964, ele deveu isso exclusivamente às forças armadas que agora amaldiçoa." (Olavo de Carvalho, in "A História, essa criminosa").

Olavo se refere às forças paramilitares formadas, principalmente, pelos governadores Carlos Lacerda, da Guanabara, e de Adhemar de Barros, de São Paulo, que pretendiam trucidar os comunistas.

Folhetos cubanos - Os chamados "folhetos cubanos" eram disseminados no Brasil pelo Movimento de Educação Popular (MEP), durante o Governo de João Goulart, e serviam de inspiração às Ligas Camponesas, de Francisco Julião, e aos Grupos dos Onze (G-11), de Leonel Brizola.

Ligas Camponesas - As origens da organização dos camponeses datam da década de 1940, no trabalho do PCB, que estabeleceu as Ligas Camponesas. Essa atividade ressurgiu na década de 1950, em Galiléia, com a criação da Sociedade Agricultural de Plantadores e Criadores de Gado de Pernambuco, assistida por um ex-membro do PCB, José dos Prazeres, e depois com a formação de sociedades de direito civis e legais, que rapidamente se espalharam por todo o Nordeste, passando a uma rede de Ligas Camponesas - como eram chamadas pelos proprietários de terras, devido à sua origem da década de 1940. Francisco Julião foi o principal líder das Ligas, com atuação, especialmente, em Pernambuco, do então Governador Miguel Arraes, onde as Ligas colocavam fogo em canaviais e depredavam fazendas. No dia 27 Nov 1962, na queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar em Lima, Peru, estava entre os passageiros o Presidente do Banco Central de Cuba, em cujo poder foram encontrados relatórios de Carlos Franklin Paixão de Araújo, filho do advogado comunista Afrânio Araújo, o responsável pela compra de armas para as Ligas Camponesas. Os relatórios detalhavam os atrasos dos preparativos para a luta no campo, acusava Francisco Julião e Clodomir Morais de corrupção e malversação de recursos recebidos. Esses documentos chegaram às mãos do Governador Carlos Lacerda, da Guanabara, que fez vigorosa campanha na imprensa, denunciando a interferência cubana em nosso País.

No Brasil, antes de 1964, Cuba financiou ainda as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de campos de treinamento de guerrilha. A revista "Veja", de 24 Jan 2001, sob o título "Qué pasa compañero?", faz uma análise centrada na tese de doutorado da pesquisadora Denise Rollemberg, da UFRJ, a qual afirma que "o primeiro auxílio de Fidel foi no Governo João Goulart, por intermédio do apoio às Ligas Camponesas, lendário movimento rural chefiado por Francisco Julião. (...) O apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, além da compra de fazendas em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, para funcionar como campos de treinamento." Após a Contra-revolução de 1964, as Ligas Camponesas, de inspiração comunista, foram dissolvidas, e Julião obteve asilo no México.

Grupo dos Onze - Grupo dos Onze (G-11), ou Grupo dos Onze Companheiros, eram "comandos nacionalistas", que foram formados em todo o Brasil em 1963, a mando do ex-governador gaúcho Leonel Brizola. Os G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). Um documento do Grupo afirmava que os G-11 seriam a "vanguarda do movimento revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética." (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas a Rússia, não a URSS.) "... os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição". Quando ocorreu a Contra-revolução de 1964, havia centenas desses Grupos brizolistas espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil - civis, militares e eclesiásticas -, como se pode ler nas "Instruções secretas" do EPL e seus G-11, no item 8, "A guarda e o julgamento de prisioneiros": "Esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição". (cfr. Del Nero, in "A Grande Mentira", pg. 112).

MEB e MEPO - Movimento de Educação de Base (MEB) foi uma organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo Governo João Goulart e administrada por militantes de esquerda católica, muitos dos quais eram membros da Ação Popular (AP). Baseado nas idéias marxistas de Paulo Freire - autor do livro "Pedagogia do Oprimido" -, o MEB funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local (padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas. O Movimento de Educação Popular (MEP) disseminava no Brasil, durante o Governo de João Goulart, folhetos cubanos sobre a técnica de guerrilhas. Esses folhetos foram utilizados pelos G-11, de Brizola, e pelas Ligas Camponesas, de Francisco Julião.

Operação Limpeza - Depois da Contra-Revolução de 31 Mar 1964, o Congresso Nacional empossou, no dia 2 de abril, o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, do PSD de São Paulo, como Presidente Interino do Brasil. Três governadores foram cassados: Miguel Arraes (Pernambuco), Seixas Dória (Sergipe) e Badger Silveira (Rio de Janeiro). Enquanto Jango tentava, no Rio Grande do Sul, obter asilo político no Uruguai, a Operação Limpeza incluía ainda expurgos de pessoas ligadas à corrupção e à subversão. Em Porto Alegre houve um atentado contra a vida do brigadeiro Lavanère-Wanderley, ocasião em que foi morto o que o atacou (4 de abril). No dia 9 de abril, o Comando Revolucionário (Costa e Silva, Rademaker e Correia de Melo) assinaram o Ato Institucional (AI): estavam suspensos por 10 anos os direitos políticos de João Goulart, Jânio Quadros e Luís Carlos Prestes. No dia 10 de abril, foi publicada lista com uma centena de nomes punidos, entre os quais 40 membros do Congresso Nacional, muitos dos quais líderes da Frente Parlamentarista Nacionalista. No dia 11 de abril, o Comando Revolucionário transferiu 122 oficiais para a reserva.

O AI estipulava que, 2 dias depois de sua promulgação, o Congresso elegeria um Presidente e um Vice-Presidente da República, numa eleição em que não haveria inelegibilidades. Os projetos apresentados pelo Executivo se tornariam leis se não fossem votados dentro de 30 dias; os orçamentos propostos pelo Presidente não poderiam ser majorados pelo Congresso; essas estipulações, além de uma que permitia ao Presidente propor Emendas Constitucionais a serem aprovadas pela maioria simples, deveriam expirar, juntamente com o AI, no dia 31 Jan 1966.

Na votação para Presidente, Castello Branco recebeu 361 votos (123 do PSD, 105 da UDN e 53 do PTB), enquanto Juarez Távora recebeu três votos e Gaspar Dutra dois. Houve 72 abstenções, em grande parte de representantes do PTB, e 37 ausências (por causa do atraso na posse dos suplentes dos congressistas cujos mandatos haviam sido cassados). O Senador Kubitschek deu seu voto a Castello; o antigo Ministro da Fazenda, José Maria Alkmin, foi eleito Vice-Presidente. No dia 15 de abril de 1964, Castello assumiu a Presidência da República. Ainda em 1964, o AI-2 institui o bipartidarismo no Brasil: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apóia o Governo militar, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição.

Infelizmente, não se realizaram as pretendidas eleições democráticas em 1966. Em 1967 e 1968, ainda muito antes da entrada em vigor do AI-5, e sob os ecos da Revolução Cultural chinesa (3) e da OLAS (4), começaram os atentados terroristas, promovidos por fanáticos que queriam implantar em nosso País uma Cuba de dimensões continentais, não a "democracia" que hoje tanto alardeiam. "Das grandes manifestações de 1968, muitos foram os jovens que saíram para integrar organizações guerrilheiras urbanas. Nesse sentido, o trabalho político, dentro do movimento estudantil, deu os seus frutos. (...) O fato concreto é que, a partir de então, existe no Brasil uma esquerda que faz a revolução com as armas na mão" (Vladimir Palmeira, in "A Esquerda Armada no Brasil", de Antonio Caso, Morais Editores, Lisboa, 1976).

Com muito sacrifício, em 1973 foram extirpados todos os grupos terroristas no Brasil - incluindo o Molipo de José Dirceu e a ALN de Aloysio Nunes Ferreira. A meu ver, aquele era o momento certo para promover a redemocratização do Brasil. O País crescia a taxas de 10% ao ano, a segurança voltara, todos eram felizes e não sabiam. Mas havia a Guerrilha do Araguaia, de João Amazonas e José Genoíno, ainda em andamento. Devido a isso, estendeu-se em demasia o governo dos militares, que acabaram sendo humilhados com a volta da inflação e da estagnação econômica, especialmente durante o triste mandato do general Figueiredo, o "inesquecível" ("Me esqueçam!"), que encobertou o vil "Atentado do Riocentro".

Em janeiro de 1964, Prestes afirmou que "os comunistas já se encontram no Governo, só falta tomar o poder". Ou seja, faltava fechar o Parlamento e aniquilar o Judiciário - além de cooptar ou calar o "grande mudo": o Exército Brasileiro. Porém, o "grande mudo" falou alto, trovejou e espantou para bem longe a hidra vermelha que ameaçava o País.

Em 2004, durante o III Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, Frei Betto (5), antigo ativista envolvido com os terroristas de Carlos Marighela, hoje guru de Fidel Castro, de Lula-laite e do MST, disse algo semelhante a Prestes, ao afirmar que o PT chegara ao Governo, mas ainda falta conquistar o poder. Isto é, o poder único, semelhante ao Partido Comunista cubano. Na ocasião, Frei Betto, "ante um auditório de sacerdotes, religiosas e milhares de militantes de comunidades eclesiais de base (CEBs) que o ovacionaram reiteradamente, disse que a sociedade do futuro define-se em uma só palavra: 'socialismo'. E depois de pedir uma salva de palmas para Karl Marx, acrescentou de maneira chocante que o "homem novo" deve ser 'filho do casamento de Ernesto Che Guevara e Santa Tereza de Jesus' " (leia mais em www.cubdest.org).

É, parece que o Brasil não toma vergonha na cara. Quase 40 anos depois, voltamos à estaca zero. Parece que estamos em 1964. As Ligas Camponesas, hoje, converteram-se nos cangaceiros do MST, que invadem propriedades particulares e repartições públicas, com os aplausos do atual Ministro do Afundamento Agrário, Miguel Rossetto. A inflação voltou com força, empobrecendo ainda mais a população brasileira. O Fórum Social Mundial e o Foro de São Paulo são hoje os "MEB", os "MEP", as "UNE", as "AP" e as "Frentes" de outrora, onde são distribuídos os atualíssimos "folhetos cubanos". Com a presença de narcoterroristas das FARC. Nosso Presidente Lula-nem-mais-tão-laite-assim passeia de mãos dadas com o mais antigo terrorista em atividade do mundo, Fidel Castro, encontra-se amiúde com o agitador Hugo Chávez, amigo de Saddam Hussein, e não admite dizer em público que as FARC são um movimento terrorista.

Pudera, o PT, indiretamente, é um aliado das FARC, já que ambos são membros do Foro de São Paulo. Com nossos atuais governantes promiscuídos com tais tipos e tais organizações, não é de pasmar que hoje até Saddam Hussein seja apresentado como herói. Enquanto isso, o terrorismo retorna com força total, matando juízes, políticos e policiais, aterrorizando com chacinas a população do Rio de Janeiro, cidade que teve aumentados seus dias de feriado por conta da ordem dos traficantes de drogas, que emitem toques de recolher a todo momento. E o atual Governo, como os anteriores, desde a Nova República, nos apresenta mais um programa de segurança cu-de-cobra. Afinal, cu de cobra nunca ninguém viu, nem sabe se existe...Ah! Éramos felizes e não sabíamos! Quanta saudade Castello nos traz!



Notas:



(1) MATTOS, Carlos de Meira (coordenador). "Castello Branco e a Revolução - Depoimentos de seus Contemporâneos". Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1994.

(2) ALVES, Márcio Moreira. "O Despertar da Revolução Brasileira". Seara Nova, Lisboa, 1974.

(3) Revolução Cultural - Anunciado em 1966 por Mao Tsé-Tung, com o apoio do Exército, é um novo período de luta entre correntes partidárias, no qual os jovens deveriam criticar seus superiores e derrubar "velhos hábitos, as velhas idéias e a velha cultura". Milhões de estudantes maoistas criam uma "Guarda Vermelha", que, empunhando o "Livro Vermelho" de Mao, passam a humilhar e matar os opositores do líder máximo e a queimar prédios. Intensificou-se o estudo de Marx, foram apresentadas óperas comunistas e canções revolucionárias. Dois anos depois (1968), o movimento estudantil sacudiu o Ocidente, como o Maoismo da juventude francesa, com reflexos no Brasil, junto com a OLAS de Fidel Castro. A Revolução Cultural ocasionou 10 milhões de mortes, além de tortura física de presos, como o arrancamento da genitália (testículos e pênis), que eram assados e comidos pelos torturadores. Além dessa tortura sui generis, durante a Revolução Cultural era incentivada a prática de devorar os inimigos políticos, fato denunciado em detalhes por Zheng Yi, um fugitivo do massacre da Praça da Paz Celestial e outrora um dos mais destacados romancistas chineses (seu primeiro romance, "The Maple", sobre a Revolução Cultural, foi usado pelo Politburo para atacar a Gangue dos Quatro). A respeito do assunto, veja texto "Communists Eat Their Class Enemies", de Adam Young (adamyoung@hotmail.com) em www.lewrockwell.com/orig/young1.html.

(4) OLAS - Organización Latinoamericana de Solidaridad: no dia 16 Jan 1966, 1 dia após o término da Tricontinental, em Havana, Cuba, as 27 delegações latino-americanas reuniram-se para a criação da OLAS, proposta por Salvador Allende. O terrorista brasileiro Carlos Marighella foi convidado oficial para a Conferência da OLAS em 1967. Ola, em espanhol, significa "onda", seriam, pois, ondas, vagalhões de focos guerrilheiros espalhados por toda a América Latina, como disse o próprio Fidel Castro: "Faremos um Vietnã em cada país da América Latina". Após a Conferência, começam a surgir movimentos guerrilheiros em vários países da América Latina, principalmente no Chile, Peru, Colômbia, Bolívia, Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela. A OLAS, substituída pela JCR, tem sua continuidade no Foro de São Paulo (FSP) e no Fórum Social Mundial (FSM).

(5) Frades dominicanos - No início de 1968, houve várias reuniões no Convento dos Dominicanos do Bairro das Perdizes, em São Paulo, liderado por Frei Osvaldo Augusto de Rezende Júnior, congregando frades para tomada de posição política, que culminaria com a adesão do grupo ao Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP) - que teve, ainda naquele ano, mudado seu nome para Ação Libertadora Nacional (ALN). Participaram das reuniões Frei Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Beto), Frei Fernando de Brito (Frei Timóteo Martins), Frei João Antônio Caldas Valença (Frei Maurício), Frei Tito de Alencar Ramos, Frei Luiz Ratton, Frei Magno José Vilela e Frei Francisco Pereira Araújo (Frei Chico). Frei Osvaldo, apresentando Marighela a Frei Beto, conseguiu a adesão ao AC/SP de todos os dominicanos que participaram das reuniões. Frei Beto também entrou em contato com a VPR por intermédio de Dulce de Souza Maia, nos meios teatrais, onde Frei Beto atuava como repórter da "Folha da Tarde". A primeira tarefa que os dominicanos receberam de Marighela foi fazer um levantamento de áreas ao longo da Rodovia Belém-Brasília, para implantação de uma guerrilha rural. A área de Conceição do Araguaia, onde a ordem dominicana possuía um convento, foi assinalada no mapa como área prioritária, pois teria importante apoio logístico. O levantamento sócio-econômico da região foi feito com base no "Guia Quatro Rodas", da Editora Abril. Esse trabalho passou a ser compartimentado, para aumentar a segurança, e os frades passaram a utilizar codinomes: Frei Ivo, o Pedro; Frei Osvaldo, o Sérgio ou Gaspar I, nos contatos que este tinha com Marighela; Frei Magno, o Leonardo ou Gaspar, era quem mantinha contato com Joaquim Câmara Ferreira; Frei Beto, o Vítor ou Ronaldo, ficou encarregado do sistema de imprensa e também dos contatos com Joaquim Câmara Ferreira, que coordenava as atividades do Agrupamento em São Paulo (o AC/SP se infiltrou na Editora Abril e no jornal "Folha da Tarde", do Grupo Folha). Na "Folha da Tarde", Frei Beto recrutou os jornalistas Jorge Miranda Jordão (Diretor), Luiz Roberto Clauset, Rose Nogueira e Carlos Guilherme de Mendonça Penafiel. Clauset e Penafiel cuidavam da preparação de "documentos", e Rose, do encaminhamento de pessoas para o exterior. Na Editora Abril, a base de apoio era de aproximadamente 20 pessoas, comandadas pelo jornalista Roger Karman, e composta por Karman, Raymond Cohen, Yara Forte, Paulo Viana, George Duque Estrada, Milton Severiano, Sérgio Capozzi e outros, que elaboraram um arquivo secreto sobre as organizações armadas (servia também como fonte de informações para organizações subversivas). O AC/SP tinha assistência jurídica, composta de 3 advogados: Nina Carvalho, Modesto Souza Barros Carvalhosa e Raimundo Paschoal Barbosa. Quando procurado pela polícia, em São Paulo, Frei Beto, que havia ingressado no convento dos dominicanos, em São Paulo, em 1966, foi acobertado pelo Provincial da Ordem, Frei Domingos Maia Leite, e transferido para o seminário dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, RS. Frei Beto foi preso no RS, onde atuava junto com a ALN para fuga de terroristas ao Uruguai.





(*) O autor é ensaísta e militar da reserva.
 
Após uma campanha eleitoral considerada moderada e
conciliadora, o PT muda o discurso e já fala em revolução social


Os primeiros dias do Governo Lula da Silva começam a causar preocupação em largos setores do povo brasileiro.

A ânsia com que as diversas alas do Partido dos Trabalhadores se lançou à conquista do poder tende a provocar uma quebra da expectativa, da esperança que se criou durante a campanha eleitoral.

As promessas de campanha parecem esquecidas, e a esperança vai se transformando em preocupação à medida que o Governo anuncia projetos cada vez mais socialistas.


--------------------------------------------------------------------------------

Ministério de esquerda

Os primeiros passos já se deram com a constituição do Ministério. A começar pelo Chefe da Casa Civil, Ministro José Dirceu, o qual militou na "Aliança Libertadora Nacional" (ALN), organização guerrilheira que promovia seqüestros e assaltos a bancos.

Ascenderam também ao Governo Federal diversos nomes com origem na organização trotskista "Liberdade e Luta": no primeiro escalão do governo, o Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o secretário de comunicação da Presidência, Luís Gushiken
.

Estes são apenas alguns exemplos.

Essa guinada à esquerda pode também ser medida nos discursos de posse de alguns ministros.

José Dirceu, por exemplo, relembrou o caráter de esquerda e socialista do PT (característica habilmente silenciada durante o período eleitoral) e declarou: “Vamos fazer uma verdadeira revolução social” (“O Estado de S. Paulo”, 3/1/2003).

O Ministro da Educação, Cristovam Buarque, que em sua posse prestigiou o ditador Fidel Castro, afirmou que o próprio Presidente Lula da Silva lhe recomendou: “no caso da educação, é acelerar e dobrar à esquerda” (“O Estado de S. Paulo”, 3/1/2003).

Em matéria especial sobre a posse dos novos ministros, a “Folha de S. Paulo” constatou: “PT troca ‘paz e amor’ por revolução social”, acrescentando que “o Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva abandonou o discurso cauteloso e conciliador, característico da campanha” (“Folha de S. Paulo”, 3/1/2003).

Fonte: TFP

Powered by Blogger